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    Primeira crítica sobre Justine

    Leia a matéria sobre a estréia de "Justine" no Satyros

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    Satyros faz aniversário com Sade

    Grupo celebra 20 anos encenando Justine cheia de boas soluções cênicas

    Por Beth Néspoli

    Para chegar à sala teatral do Espaço dos Satyros 2, na Praça Roosevelt, o espectador percorre até o fim o corredor de entrada, desce uma escada circular, chega a um saguão na penumbra, depois desce outro lance de escada até acomodar-se nas arquibancadas da sala pequena de 50 lugares. Nesse porão já funcionou a ruidosa boate Cais e talvez isso justifique a arquitetura inusitada do palco, com seus mezaninos e plataformas em diferentes níveis de altura e distribuição irregular pelo espaço.


    Não podia ser mais pertinente encenar nessa geografia que faz pleno jus ao nome underground um espetáculo como Justine, baseado no romance homônimo do Marquês de Sade (1740-1814), autor considerado maldito, cujos livros, durante sua vida e mesmo muitos anos depois de sua morte, foram censurados, sempre publicados clandestinamente. "Talvez nenhum outro escritor tenha suscitado tantos mal-entendidos, especulações, preconceitos e equívocos", escreveu em artigo no Estado Eliane Robert Moraes, uma das mais respeitadas especialistas em sua obra.

    Justine estreia amanhã encerrando a trilogia libertina dos Satyros, iniciada com A Filosofia na Alcova e 120 Dias de Sodoma, ambas ainda em cartaz na sede do grupo, na Praça Roosevelt. O Estado publicou em 2003 uma crítica sobre a primeira montagem na qual ressalta como mérito do grupo não "temer as ideias de Sade, mas também não se deixar seduzir por elas". Sade foi contemporâneo de Rousseau (1712-1778), cujo pensamento de que o homem era bom por natureza e a sociedade o corrompia era o inverso das ideias que defendia como libertino. Para ele, egoísmo, volúpia, luxúria e crime eram impulsos naturais e o homem só seria feliz dando plena vazão a eles.

    "O que tem o Sade que toca tanto a gente? A Filosofia na Alcova pode-se dizer que está há 20 anos em cartaz", diz o diretor Rodolfo García Vázquez. A primeira fundação dos Satyros feita na parceria entre o ator e dramaturgo Ivam Cabral e o diretor Vázquez foi em São Paulo, em 1989, num teatro na Major Diogo, vizinho ao TBC. Ali eles encenaram Sade ou Noites com os Professores Imorais, a primeira montagem baseada em A Filosofia na Alcova. "Na época, o que nos impulsionava era a rebeldia", diz Vázquez.

    "Tínhamos acabado de fundar os Satyros e veio o período Collor. O teatro não tinha qualquer apoio. Na época, uma amiga mostrou o romance e disse: ?Duvido vocês encenarem este livro.? Por imaturidade e ingenuidade, a gente aceitou o desafio." Por conta do misto de escândalo e sucesso, três anos depois eles foram convidados para viajar a Portugal, e por lá acabaram ficando por cinco anos. Em meados de 90 voltaram para o Brasil e instalaram sua sede em Curitiba. Voltaram a Sade, fizeram outras adaptações consideradas difíceis, como Salomé e Contos de Maldoror, de Lautréamont. Em dezembro de 2000 abriram nova sede na Praça Roosevelt, onde estreou 120 Dias de Sodoma.

    Agora eles voltam a Sade para celebrar o aniversário de 20 anos dos Satyros. Desta vez, não é ?apenas? a rebeldia que os move. "Já fizemos dois romances, não queríamos repetir fórmulas. Estudamos a obra com afinco, foram nove meses de ensaios", diz Vázquez. "Tenho muito respeito por esses atores, porque numa sala de 50 lugares e um elenco de 20 atores todos já sabem de antemão que não vão ganhar dinheiro, mesmo que o espetáculo lote todas as noites. E não temos qualquer patrocínio ou apoio, eles ensaiaram sem ganhar nada."

    Ao contrário do que ocorre em A Filosofia na Alcova ou 120 Dias de Sodoma, Sade explora o ponto de vista da vítima, e não do libertino, a partir do contraponto entre as irmãs, Justine e Juliette. Órfãs na adolescência, expulsas do colégio interno por falta de dinheiro, desamparadas, tomam caminhos opostos. Juliette entra para um bordel, depois casa-se e mata o marido; viúva rica, leva vida de libertina, mas mantém a aparência de senhora da sociedade. Justine rejeita tal caminho e sofre as mais diversas agruras, sempre submetida ao caprichos dos ricos, moralistas na aparências, pervertidos na essência.

    "Buscamos problematizar as questões da peça, que são muito atuais", explica Vázquez. "De que adianta seguir princípios morais se a sociedade não é regida por eles? O que leva um sujeito que ganha R$ 800 por mês a não se rebelar contra o patrão que o trata mal? Ou contra o político que desvia o dinheiro dos impostos? Ficamos impressionados porque o casal de sovinas trata Justine como coisa o tempo todo. Mas é muito diferente a nossa classe média, quando diz ?essa gente? para falar de empregadas ou porteiros?"

    A julgar pelo ensaio acompanhado pelo Estado, a encenação de Justine é reveladora da experiência acumulada. É plena de soluções surpreendentes, algumas brilhantes, na direção segura de Vázquez. Reentrâncias sob uma plataforma servem à perfeição como celas de um convento; o mezanino pode abrigar ora o júri em um julgamento, ora a plateia ruidosa na reconstituição de um crime; nem a escada que leva à saída é desprezada.

     



    Preste atenção...

    ... na brincadeira de mãos entre as irmãs Justine e Juliette (Andressa Cabral e Erika Forlim). É muito pertinente a apropriação de um jogo infantil para dar leveza à narrativa da gênese das personagens.

    ... no olho no criado (Robson Catalunha) que "testa" a virgindade de Juliette quando ela pede abrigo num bordel. Concebido e interpretado de forma não realista, entre o grotesco e o cômico, é figura de aparição relâmpago, mas inesquecível.

    ...na "fila" que se forma no cabaré, com a entrada em atividade da "virgem" Juliette. No bordel, seu olhar será atraído pelas cenas que ocorrem numa cabine vermelha, mas não deixe de observar essa "fila". É um dos bons momentos, entre outros, como nas cenas de julgamento, em que o "coro" torna-se extremamente expressivo graças à criatividade com que se estrutura sua atuação.

    ...no nome do patrão sovina de Justine, clara citação de Sade ao protagonista Harpagon da peça O Avarento, de Molière. Referência que não passou despercebida ao diretor e aos atores. Em todas as cenas do casal de sovinas (Ruy Andrade e Gisa Gutevil), a linguagem, dos figurinos às interpretações, remete à estética à Commedia Dell"Arte, fonte de inspiração de Molière.

    ...no recurso simples, uma touca de pano, cuja utilização resulta num interessante efeito para expressar a forma como Justine, já apelidada Sophie, é obrigada a de desdobrar para dar conta do trabalho excessivo na casa do patrão sovina.

    ...no uso de um recurso de humor ingênuo para alcançar um resultado cortantemente irônico. Tal comicidade se dá na relação entre Justine/Sophie e seu "salvador", o Sr. Bressac (Henrique Mello), quando ele lhe leva de volta ao bosque onde a encontrara.

     

     

    Abaixo segue foto da cena do convento de Saint Mary Du bois, em que eu, Carolina Angrisani interpreto Omphale, ao lado de Andressa Cabral que interpreta Justine, aqui ainda com o pseudônimo Sophie. Momento de cumplicidade entre as vítimas.

     



    Escrito por Carolina Angrisani às 17:59
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    Antologia poética

    A revista Educar para crescer da ed abril lançou a pergunta:

    Que livro é você?

    Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra. Eis meu resultado:

    "Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

    "O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
    "Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

    Lá vai o link pra quem ficar curioso: http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml



    Escrito por Carolina Angrisani às 16:54
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    Surrupiei do blog do alberto guzik

    justine

    está nascendo mais um espetáculo que se tornará um marco na trajetória da cia. de teatro satyros: "justine". a montagem fecha a trilogia libertina, composta por adaptações para o palco de romances fundamentais do marquês de sade. "justine" foi antecedida por "filosofia na alcova" e "cento e vinte dias de sodoma". com a nova encenação, que entra em cartaz na próxima terça, dia 21 de abril, a trilogia libertina estará completa em cartaz, em dias alternados, no espaço dos satyros 2. quero uma hora dessas escrever sobre as três peças. mas agora vou registrar apenas as primeiras impressões caóticas de "justine", que vi ontem, em ensaio aberto. mais uma vez sade, via satyros, nos desfere um tremendo soco no estômago. "os infortúnios da virtude" é o subtítulo de "justine" e explica tudo que acontece. sade proclama, feroz, que o crime compensa, a virtude não. ao traçar a trajetória das irmãs justine e juliette, a primeira uma alma cândida que aspira ao bem, a segunda uma libertina que não se detém ante os maiores crimes, sade narra uma história de horrores. justine será abusada, estuprada, escorraçada, humilhada, acusada de roubos e mortes que não cometeu. e mesmo assim não perde a aspiração ao bem, desejo que nunca se consuma. ou melhor, quando se consuma, quando ao fim de uma trajetória cruciante, ela se reencontra com a irmã, juliette, que, rica e poderosa, a acolhe em seu castelo e lhe oferece abrigo, acaba sofrendo uma morte tremenda pela violência da natureza, que, indiferente ao vício e à virtude extingue a vida em justine com um raio, durante uma tempestade. esse romance, um dos mais famosos do marquês de sade, resultou numa montagem potente, obra de rodolfo garcía vázquez e da equipe que criou "justine" com ele. são imagens aterradoras e fascinantes que tomam o palco durante 95 minutos. uma história cheia de atritos, desagradável, terrível, é contada de forma tão densa, tão concentrada, que invade o espectador com seu peso, sua escura descrença. a mensagem de "justine" não é otimista, não é jubilosa. é sombria, e nos relata uma aventura humana sem grandeza. como se pode dizer que sade elogia o crime quando na verdade mostra todo o seu horror? o espetáculo é daqueles a que é preciso assistir mais de uma vez. tem uma abundância alucinante de sugestões visuais e sonoras que deve ser bem vista para ser entendida. o elenco, encabeçado por andressa cabral, como justine, mergulha de cabeça na aventura de viver esse sombrio (e quando ele não é sombrio?) sade. as atuações vão crescer, amadurecer. mas na maioria já estão ancoradas em patamares bem consistentes. ainda há ajustes de figurino e de técnica a serem feitos. mas o espetáculo está vivo, intenso, desafiador. diz para nós, como a esfinge, "decifra-me ou te devoro". desde ontem estou sendo perseguido pelas cenas dessa "justine" que tem a marca de rodolfo, como encenador. é diferente de tudo que ele já faz e, ao mesmo tempo, ninguém, senão ele, poderia criar essa montagem. em cena há como que uma reelaboração de toda a trajetória dos satyros, mas de um modo que não fica restrito na nostalgia, na contemplação do passado. ao contrário, aponta impetuosamente para o futuro. vou escrever mais a respeito. por enquanto só queria dar conta aqui do profundo e vital incômodo em que "justine" me mergulhou. ah, e o que é aquela trilha sonora? caramba! é muito boa. agora chega, depois conto mais.



    Escrito por Carolina Angrisani às 15:01
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    Justine - os infortúnio da virtude estréia dia 21 de abril no satyros 2 - 21 h

    Hoje no ensaio faltando exatos 19 dias para a estréia, e com o espetáculo ainda por terminar (falta muito pouco!), dei uma escapadela da coxia e sentei na platéia para assistir parte do espetáculo da qual não faço parte:

    Bolhas multicoloridas que surgem e desaparecem em um ritmo frenético, esquizofrênico, louco. É assim que as cenas se constroem e se diluem no espaço. Um pequeno exemplo disso é o surgimento da costureira, do padre e por aí vai... Vontade de rir com a exótica Du Buisson e seu “gramelônico” assistente, e finalmente na cena dos Harpin uma inacreditável experiência estética, com os eletros carregados pelas diversas Justines mascaradas. E de repente... Tudo some. Palco vazio novamente. Tudo começa a se reconstruir. Pausa para a cena do julgamento. Então sou pega de supetão, esganada, arrebata pela criminosa Dubois. Choro de desespero. Inexplicável. Retomo a respiração e me preparo para assistir a cena do marquês de Bressac (uma das minhas preferidas do lado de lá da coxia), e me espanto com a violência que nunca havia visto nela antes. Lá atrás vejo um ator passando por trás da coxia ainda invisível... E poderia ser assim mesmo. Com Justine caída toda ensanguentada, me ponho a chorar novamente. Ela se recupera e segue sentido Convento de Saint Marie dês Bois, sigo atenta a movimentação de cada ator que desenha no meu imaginário, junto com a trilha e iluminação) um cenário gigantesco e fantático de diversas situações e acontecimentos. É hora de voltar, mas o ensaio acaba. Vontade de mais.

    Reflito: Rodolfo Garcia Vázquez, Ivam Cabral(que não está tão perto, mas sempre presente) e a Cia Os Satyros vão além da alquimia que fazem com as diversas linguagens teatrais. Inventaram a nova dramaturgia e seguem na experimentação de um novo rumo para as interpretações.

     

     



    Escrito por Carolina Angrisani às 00:02
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