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    The end to the play

    Estou pensando em encerrar esse blog, ele acabou se perdendo muito nos últimos anos. Leia-se: Eu acabei me perdendo muito nos últimos anos. No começo era um espaço de expressão, por mais romantizada ou por vezes infantil, era eu que estava aqui, como sentia as coisas. De repente, quando parei de sentir as coisas assim, parecia que não sabia mais preencher essas ausências daqui. Na verdade estou pensando em criar um novo blog, a princípio chamaria de satori, que é um termo budista para a palvra presença. Não que eu seja budista, nem conhecedora dessa filosofia, mas o termo caiu em minhas mãos e me simpatizei com ele. E como estaria no outro oposto de ausências e tem a ver com meus sentimentos presentes, talvez isso aconteça mesmo. Silêncio. É como terminar um relacionamento, você enrola, pra ter certeza de que é realmente isso que você quer, se está certa disso. Um post no blog do Guzik me encorajou a por fim nisso tudo. Ele dizia mais ou menos assim: que o blog pra ele era um exercício diário de trocar com o mundo, de dizer suas percepções das coisas, suas observações, seus diálogos com o que estava ao redor, e não um espaço para ficar exibindo seus trabalhos etc.  Como eu estou aqui, há tempos nessa de exibir alguns trabalhos, me identifiquei bastante com esse post, e me percebi insatisfeita nessa minha relação com o blog, que já não é mais criativa, apaixonate e tudo mais. Então, é isso. Digo adeus as minhas ausências, que eram as de Camile Claudel, musa inspiradora disso tudo, que chegou até mim, através de um conto do Caio f Abreu, que virou 4 anos de relação, que ficou sem graça, sem cor, acomodada. Mas que também já me proporcionou grandes momentos de intensidade e entrega. E encerro inspirada por um mestre contemporâneo meu, que tive a Alegria de conhecer pessoalmente. Então, dou um giro, viro-me de ponta cabeça, afim de recomeçar com energia plena e sincera meu novo blog. E assim tenho dito. E assim, aprendo com o saudoso mestre!

    "...não vou nem desistir deste espaço nem abandoná-lo. ele tem sido um exercício muito importante de escrita desde que o iniciei, há quase quatro anos. não vejo o blog nem como um exercío jornalístico que me obrigue a ir atrás de furos de reportagem e nem como uma área destinada a exaltar meu ego e a glorificar meus feitos. reflito sobre o que faço e sobre o que vejo, e isso me faz bem, me dá prazer. gosto de dividir com os leitores que tenho minhas paixões pelo cinema, pelo teatro, pela música, pela literatura e pela vida. disciplinei-me a ponto de alimentar todos os dias o blog com textos longos ou curtos, com citações ou poemas ou trechos de livros que admiro. tornei este espaço um cantinho do qual eu observo o mundo e reajo a ele..." (Trecho extraído do blog Os dias e as horas, de Alberto Guzik)



    Escrito por Carolina Angrisani às 01:34
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    O Corpo

    A questão do corpo não sai da minha cabeça, e nem da minha vida. É muito louco afirmar isso, porque se apenas tomamos esse corpo emprestado para viver essa existência de agora, por que ele se torna tão importante em tudo que fazemos. O corpo é a gente mesmo, ele toma a forma de quem somos, é uma expressão do nosso interior, seja conscientemente ou não, assim é que é. E eu particularmente tenho pirado um pouco com essa história toda, na real nunca dei muita importância para o corpo em si, tanto que sempre (entenda, desde de que me conheço por gente), estive acima do peso, mas nunca liguei muito pra isso. Essa importância acabou por vir, por causa de uma pressão social, no que diz respeito aos padrões de beleza etc e tal. De uns tempos pra cá, comecei sim a tomar consciência do meu corpo para que pudesse me utilizar melhor dele no meu ofício, que é ser atriz. Bem, e depois dos trinta confesso que também comecei a prestar um pouco mais de atenção no que entra por essa santa boquinha. Sim, somos o que comemos. E não quero mais me sentir inchada pelos alimentos gordurosos que comi na semana passada, então venho fazendo escolhas mais saudáveis, tenho praticado exercícios físicos, coisas que fazem eu me sentir muito bem. E agora, que estou nessa viagem toda do corpo, portanto uma viagem em mim mesma, aumenta mais ainda a reflexão sobre tudo isso. No quanto, a minha própria carreira tomou determinado rumo, em função do próprio corpo, pela questão dos arquétipos, dos biotipos e de onde me enquadro nisso tudo. Tendo o corpo que tenho, ou seja, sendo eu mesma. Ai! É uma confusão, mas semestre que vem devo entrar no programa de extensão da Puc chamado: A imagem corporal na contemporaneidade, quem sabe assim as coisas ficam mais claras pra mim?



    Escrito por Carolina Angrisani às 16:42
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    Top Model Plus Size?

    Sabe que desde os 14 anos, quando já trabalhava como atriz, fazia umas fotos como modelo gordinha pra entrar uma graninha, fiz Boa Forma, Manequim, fui até capa da extinta revista Carícia, todas da editora abril, vivia naquele prédio da Nações Unidas, participando de vários editorias. O tempo passou, continuo trabalhando como atriz, mas o destino me colocou de novo no caminho das fotos. E olha que com 16 anos de profissão até que eu já adiquiri uma experiência bem legal! Já fui fotografada pelos principais fotógrafos do país (que chique!): Armando Prado, Jairo Goldflus ( marido da Gabriela Duarte), Feco Hamburguer, Robson Mello (Fortaleza), Valério Trabanco (Fantástico). Olha, está faltando o Duran nessa lista, será que ele já fotografou alguma "Plus Size Model"? Fica o convite! Ah, já dei uma entrevista pra a Veja on line (12/09) e agora em junho/10 vai sair outra entrevista no jornal carioca O Fluminense, espero que fique bacana. E fui incluída numa lista das principais modelos plus size do mundo pelo site: Runway Revolution. Ai ai, será que a atriz Carolina Angrisani está se tornando uma top model plus size? Vou mudar meu nome para Carolina Fiorentino, acho que é melhor para o mundo fashion.

     Plus size model: Carolina Angrisani (Brasil)

    Foto: Robson mello (Fortaleza)



    Escrito por Carolina Angrisani às 23:18
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    Construindo um cotidiano

    E no clube...

    Duas aspirantes a patinadoras mirins, uniformizadas de rosa pink, incluindo joelheiras e cotoveleiras da mesma cor, se preparam para descer uma rampa, sem que os pais a estejam vendo. E é dada a largada. 1, 2 e 3! Eles começam a descer, e de repente uma delas começa a gritat: - Ai, ai a,aiaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh! PFTPOFTBROW! Caiu. E começa a chorar. nem sinal dos pais.

    A menina chora, sentada no banco impressionada com o sangue em suas pernas, amparada pela mãe e mais alguns curiosos. O senhor que a observa diz: - A dor é aprendizado.

    Um casal está caminhando, a mulher reclama: - Mas é tão simples! quem está indo vai pela direita, e quem está vindo vem pela direita também. Assim ninguém se cruza! Eh povinho viu!



    Escrito por Carolina Angrisani às 22:52
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    http://veja.abril.com.br/noticia/saude/fat-pride-orgulho-ser-gordinha-obesidade-519659.shtml

     

    'Fat pride', o orgulho de ser gordinha

     
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    Foto para a revista americana 'Glamour': o público respondeu positivamente às dobrinhas (Foto: Divulgação)

    Dos Vigilantes do Peso ao balão intragástrico. A atriz Fabiana Karla já tentou quase todas as fórmulas e simpatias para perder peso. "No começo, até emagreci, mas os doces me amam", brinca a Dra. Lorca da atração humorística Zorra Total, da Rede Globo. A certa altura, porém, ela decidiu parar de se lamentar pelos quilos extras e assumir as dobras. Sentiu-se bela assim. "Preconceito existe desde que nascemos, mas podemos escolher se vamos aceitar isso ou não", diz Fabiana, disparando contra a tão falada ditadura da magreza. "Agora, as pessoas estão se empenhando em respeitar o espaço dos outros - e acredito que estou contribuindo para isso." Vale acrescentar: Fabiana foi convidada para assumir o papel de rainha de bateria de uma escola de samba carioca - posto tradicionalmente reservado a beldades mais enxutas.

    A atriz não está só nessa mudança. Em tempos de lipoaspiração, intervenções plásticas radicais, inibidores de apetite e soluções supostamente mágicas para manter o corpo esbelto, cresce o movimento contrário à já citada ditadura da magreza: o fat pride - ou "orgulho de ser gordo". E suas protagonistas já começam a conquistar o apoio do mundo da moda e de segmentos da comunidade médica.

    Beth Ditto, vocalista da banda The Gossip, pode ser considerada um dos ícones do fat pride. Posou nua em duas capas de revistas britânicas, NME e Love – uma especializada em música, e a outra, em moda, respectivamente. Além disso, criou uma marca de roupas para mulheres cujo manequim é avantajado. Já a atriz Brooke Elliott está representando as gordinhas na TV: é a protagonista da série americana Drop Dead Diva, em que interpreta uma advogada cuja vida é atropelada por um tsunami quando uma modelo magra e fútil reencarna em seu corpo. Há ainda outras referências na TV, que vão desde a rainha dos talk shows Oprah Winfrey até programas como More to Love, em que um homem precisa escolher entre pretendentes gordinhas, e Dance Your Ass Off, reality parecido com o Dançando com as Estrelas - mas com dançarinos rechonchudos.

    Beth Ditto, vocalista da banda The GossipPela internet, a modelo e atriz Joy Nash colaborou com o movimento ao postar o bem-humorado vídeo A Fat Rant, em que sustenta uma tese que até pouco tempos parecia indefensável: é possível ser gorda e feliz. Leia a entrevista com Joy. No mundo da moda, o debate em torno da revolução da imagem do corpo perfeito foi incentivado pela revista americana Glamour. A foto de uma modelo nua com a barriga saliente ganhou destaque internacional e se tornou assunto de vários programas de TV nos Estados Unidos. "Essa foi a foto mais incrível que eu já vi em uma revista feminina", disse uma leitora em um dos milhares de comentários sobre a imagem. Com a repercussão positiva, Glamour repetiu a dose, desta vez com várias modelos nuas e com formas avantajadas.

    Gordinhas nos trópicos - Seguindo o exemplo americano, o Brasil passou a debater mais o assunto. As gordinhas começaram a ser ouvidas em programas televisivos de grande audiência. Daí surgiu o boom.

    Imagem de Lizzi Miller, que criou polêmica na revista GlamourO fundador da agência World Models, Flamir da Silva, recebeu mais de 25.000 contatos de mulheres com perfil plus size e que gostariam de trabalhar como modelos. E esse interesse súbito foi sentido em outros sites e agências relacionados a mulheres com esse biotipo. Até a brasileira Fluvia Lacerda, referência no segmento de modelos plus size no exterior, sentiu a novidade. "Eu costumava dizer que não tinha muito mercado no Brasil, mas percebi que agora existe esse movimento. Aos poucos, a consumidora brasileira vai reivindicar a chance de ter a mesma calça jeans das modelos em tamanhos maiores", prevê Fluvia.

    Publicitário e presidente da agência W/Brasil, Washington Olivetto concorda que o mercado está abrindo os olhos para mulheres que fogem dos padrões estéticos das passarelas. "A comunicação está percebendo que o processo de venda é mais efetivo quando é sincero", diz Olivetto. Ele lembra que a valorização da "beleza real" é uma preocupação antiga de uma famosa marca de sabonetes, a Dove. Em 2004, a fabricante Unilever fez uma pesquisa global com 3.200 mulheres entre 18 e 64 anos. O resultado foi assustador: apenas 2% consideravam-se bonitas. "A partir daí, a marca quis contribuir com ampliação de um padrão de beleza que, hoje, provoca uma busca do inatingível pelas mulheres. As pessoas têm tamanhos, formas e aparências diferentes, mas todas têm a sua beleza", comenta Rafael Nadale, gerente de marketing da Unilever.

    Primeira modelo plus size a participar da campanha da Dove, em 2004, Carolina Angrisani é atriz de comerciais desde 1994. "O mercado sempre foi muito preconceituoso e com ofertas de trabalhos pejorativas", diz. "Mas é bom saber que Brooke Elliott, atriz da série Drop Dead Divaestão abrindo oportunidades para esse perfil."

    Nem tudo são flores no caminho das mulheres que se aventuram nesse mercado - como, aliás, acontece também às mais enxutas. Muitas pseudo-agências se aproveitam do momento - e é preciso tomar cuidado. "Houve um boom de meninas querendo ser modelos, mas a quantidade de trabalhos não aumentou proporcionalmente", alerta Kátia Ricomini, editora e fotógrafa do site Criatura GG. Para ela, para tornar-se uma modelo plus size, a candidata precisa muito mais do que um manequim 44. "É preciso ter altura mínima, manequim certo e fotogenia. É uma profissão como outra qualquer", conta.

    'Plus Size Fashion Week' - Outro setor que está crescendo é o de vestuário tamanho GG. Até pouco tempo atrás, comprar roupas grandes era sinônimo de dor de cabeça. Mas isso está começando a mudar. "Você se percebe a presença, ainda que tímida, de lojas especializadas para as gordinhas. Isso vai se multiplicar", diz Olivetto. No início de 2010, as marcas voltadas para os tamanhos maiores vão mostrar seus modelos no maior evento para esse público do país, o Fashion Weekend Plus Size - que ocorre simultaneamente à tradicional São Paulo Fashion Week.

    Carolina Angrisani, modelo

    Eveline Albuquerque, estilista e proprietária da loja Eveíza Silhueta Plus, é uma das empresárias que vai apostar no evento de nicho. Em 2009, ela abriu uma nova loja em São Paulo, onde revende para outros estabelecimentos, e está negociando um ponto em um shopping center paulistano. O crescimento do negócio tem girado em torno de 20% ao ano. "Percebemos um mercado solto e passamos a nos especializar", conta Eveline, que está no ramo há 25 anos.

    As defensoras do fat pride rebatem críticas de alguns segmentos da comunidade médica, que veem no movimento uma apologia à obesidade. Nada disso. Para elas, trata-se do direito de buscar a felicidade, a realização pessoal e profissional e o bem-estar - tudo isso sem precisar cortar calorias ou fazer malabarismos para entrar em uma calça manequim 38 ou 40. "Ser gorda não é mais desculpa para você não ser feliz. Você vai se assumir ou se vender para o resto da vida como uma gorda coitadinha?", cutuca Renata Poskus Vaz, do blog Mulherão.

    retirado daqui:http://veja.abril.com.br/noticia/saude/fat-pride-orgulho-ser-gordinha-obesidade-519659.shtml



    Escrito por Carolina Angrisani às 04:11
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    Fotos do Justine by Rubens Cerqueira

    Ele arrasou!!!

    http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=361&postId=17747&permalink=true



    Escrito por Carolina Angrisani às 23:23
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    Satyros no Rio

    Sexta- feira, 3 de julho, vou para o Rio de Janeiro, que aliás faz dez anos que não visito, digo a cidade, porque estive em Parati no ano passado, a última vez que estive na cidade maravilhosa foi no segundo semestre de 1998 com a minha amiga Ana Paula logo após a nossa formatura no Célia Helena, ficamos uma semana em Copacabana, e viramos a cidade do avesso na ocasião. Caminhávamos todos os dias por Copacabana até o mirante o leme, depois ficávamos horas sentadas olhando pro mar, íamos até a Lagoa Rodrigo de Freitas. Visitamos o Pão de Açucar, subimos no bondinho, fomos até o Cristo. Conehecemos o morro de Santa Tereza, o pé da Rocinha, enfim foi uma festa. A Ana inclusive mora lá há uns 8 anos já. Motivo para nos vermos e matarmos a saudade. Como eu dizia, sexta à noite estréia "Os 120 dias de sodoma" e seguimos o mês de julho com uma mostra do Satyros no Rio, sábado e domingo apresento "Justine", também da trilogia libertina. A mostra ainda conta com Filosofia na Alcova, Liz e o Monólogo da velha apresentadora. nem preciso dizer sobre a felicidade de fazer parte de uma mostra do Satyros no Rio. Há três anos e pouquinho que me dedico a essa companhia, e só tenho a agradecer pelas flores colhidas, e agora mais esse presente. Então é isso, quem estiver por lá, apareça no Teatro Ségio Porto! Até.



    Escrito por Carolina Angrisani às 23:05
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    Sentimento solitário

    Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego-português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor. A palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar".

    Uma visão mais especifista aponta que o termo saudade advém de solitude e saudar, onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia. A gênese do vocábulo está directamente ligada à tradição marítima lusitana.

    A origem etimológica das formas atuais "solidão", mais corrente e "solitude", forma poética, é o latim "solitudine" declinação de "solitudo, solitudinis", qualidade de "solus". Já os vocábulos "saúde, saudar, saudação, salutar, saludar" proveem da família "salute, salutatione, salutare", por vezes, dependendo do contexto, sinônimos de "salvar, salva, salvação" oriundos de "salvare, salvatione". O que houve na formação do termo "saudade" foi uma interfluência entre a força do estado de estar só, sentir-se solitário, oriundo de "solitarius" que por sua vez advem de "solitas, solitatis", possuidora da forma declinada "solitate" e suas variações luso-arcaicas como suidade e a associação com o ato de receber e acalentar este sentimento, traduzidas com os termos oriundos de "salute e salutare", que na transição do latim para o português sofrem o fenômeno chamado síncope, onde perde-se a letra interna l, simplesmente abandonada enquanto o t não desaparece, mas passa a ser sonorizado como um d. E no caso das formas verbais existe a apócope do e final. O termo saudade acabou por gerar derivados como a qualidade "saudosismo" e seu adjetivo "saudosista", apegado à ideias, usos, costumes passados, ou até mesmo aos princípios de um regime decaído, e o termo adjetivo de forte carga semântica emocional "saudoso", que é aquele que produz saudades, podendo ser utilizado para entes falecidos ou até mesmo substantivos abstratos como em "os saudosos tempos da mocidade", ou ainda, não referente ao produtor, mas aquele que as sente, que dá mostras de saudades.



    Escrito por Carolina Angrisani às 00:09
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    Diálogo no camarim

    No Camarim. E o Poeta disse:

    - Carol, você é linda! Esperei três anos pra te dizer isso, e achei que esse foi o momento mais oportuno. É que você é sempre tão reservada. É a pessoa mais reservada aqui, então nunca falei antes.

    - Nem tanto. Mas muito obrigada. E olha que em três anos eu até fiquei mais velhinha, rsrsrs.

    - Seu jeito doce e a entrega acima de tudo. A entrega.

    - Obrigada!

    ...



    Escrito por Carolina Angrisani às 14:15
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    da vida de um artista

    Acho que estou passando por uma crise existencial de artista. Pode parecer meio pretencioso, mas não é, é mais simples. Tenho questionado sobre os pazeres e dificuldades de se levar uma vida como artista, digo artista marginal, aquele que pensa e age à margem da sociedade, muitas vezes na contramão, algumas vezes por ideologia, mas muitas vezes por não ter outra saída. E isso vai desde as pequenas coisas. Por exemplo, ter horários invertidos, a maioria das pessoas normais, levantam cedo, trabalham o dia todo, e tem as noites e finais de semana (para os mais privilegiados) livres. Eu partuclarmente nunca gostei de acordar cedo, nem nos dias de sol na praia. Eu gosto da noite, funciono melhor a noite, me sinto mais disposta, criativa e animada. Tem também o lance da estabilidade financeira, que também tenho notado que é relativa, mas dificilmente um artista consegue se planejar a longo prazo, ele vai conquistando as coisas aos poucos e mesmo assim nunca sabe como será o amanhã. tem a questão dos relacionamentos , tendo em vista que é preciso estar com alguém que tenha a vida pelo menos um pouco parecida com a sua, no que diz respeito a questões que vão desde horários, à uma essência mais livre na maneira de pensar e agir. A impressão que tenho é que o artista é do mundo, ela vai em direção ao que lhe chama, e se permite ir, exatamente por ser um ser mais livre em sua essência. Bom, todas as outras questões são bem favoráveis, e como não é o caso de se perguntar: Ser ou não ser? Já que o artista é, e pronto. A pergunta é: o que fazer?



    Escrito por Carolina Angrisani às 01:32
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    Uma interrupção

    Essas duas últimas semanas foram atípicas, uma grande amiga de infância que mora nos Estados Unidos veio ao Brasil para resolver umas questões de visto, e sempre que ela vem reunimos o antigo Clube da Luluzinha, todas já casadas, exeto eu.

    Daí sempre rola uma cobrança, perguntas do tipo como é que estão as coisas, quando é que vai ser etc, perguntas que eu estaria livre se estivesse solteira, mas como namoro há dois anos e pouquinho (digamos que aos 30, isso é bastante), fica aquela expectativa no ar. Eu até acho engraçado! Porque relamente não está nos meus planos casar e nem ter filhos, pelo menos por enquanto.

    Mas falando em filhos, as conversas giraram em torno basicamente deles. Apenas uma das amigas já os tem, e são dois, e as outras estão em processo de encomenda. Então acabei dividindo as angustias delas, com um olhar mais distanciado, claro! Mas lá estava eu, ouvindo as dúvidas sobre tê-los ou não, ou será que é a hora, mas já estamos com 30 anos daqui a pouco ficaremos velhas, e os gastos que eles trazem, vou ter que abrir mão de parte do meu orçamento para tê-los, terei que parar de trabalhar, ou meu corpo está pedindo, preciso dar um neto para minha mãe, ter filho faz parte do pacote etc. Enfim um frase de luz... "Tem que relaxar e deixar rolar, quando tiver que acontecer, acontece", ou de trevas, rsrsrsrs.

     A verdade é que me senti um ET no que diz respeito a certas convenções sociais, ou as realizações pessoais desse tipo. Não sei se pelo fato de ser dois anos mais nova que elas (ou seja, por imaturidade), ou pelo simples fato de que as minhas escolhas até aqui foram outras. Prefiro a segunda opção, mas a verdade é que esse conflito faz parte de mim, de fato tive uma criação e educação muito próxima a delas, fomos criadas para sermos mulheres "independentes" (uma necessidade de quebra da geração anterior - nossas mães), casar e ter filhos. Mas acho que aindfa estou em busca da primeira lição, talvez elas já a tenham alcançado, por isso partiram para o passo dois e já estão a caminho do 3. Mas o que mais me assusta, é que me parece que chegar no três, significa abrir mão do primeiro passo e passar a viver em função dos filhos. É como se ter filho, significasse deixar de ser você para passar a ser a Mão ou o Pai de alguém, um papel social que você passa a cumprir e adeus seus sonhos, ideais, objetivos e desejos, a partir daí o principal é o filho.

    Uma das minhas amigas, que já está com dois filhos, chegou a dizer: "Na primeira licensa não via a hora de voltar a trabalhar, agora já é completamente diferente, adeus ideais e aquela vontade de mudar o mundo, agora eu quero mais é parar de trabalhar e acompanhar o crescimento do meus filhos, ser o mais presente que eu puder." . Foi assustador ouvir isso, mas entendo o caminho que se traça para chegar até aí. Sem contar da dificuldade de trabalhar, passar o dia inteiro fora, deixar os filhos em educação integral, e só ter as noites( em que chega cansada do trabalho) e finais de semana para cuidar de si, curtir seu marido, aproveitar a infância dos filhos, ter uma vida social e ainda administrar duas ferinhas. Enfim, ainda estou um pouco confusa com toda essas conversas e me pergunto será que sou assim tão diferente?



    Escrito por Carolina Angrisani às 20:18
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    Primeira crítica sobre Justine

    Leia a matéria sobre a estréia de "Justine" no Satyros

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    Satyros faz aniversário com Sade

    Grupo celebra 20 anos encenando Justine cheia de boas soluções cênicas

    Por Beth Néspoli

    Para chegar à sala teatral do Espaço dos Satyros 2, na Praça Roosevelt, o espectador percorre até o fim o corredor de entrada, desce uma escada circular, chega a um saguão na penumbra, depois desce outro lance de escada até acomodar-se nas arquibancadas da sala pequena de 50 lugares. Nesse porão já funcionou a ruidosa boate Cais e talvez isso justifique a arquitetura inusitada do palco, com seus mezaninos e plataformas em diferentes níveis de altura e distribuição irregular pelo espaço.


    Não podia ser mais pertinente encenar nessa geografia que faz pleno jus ao nome underground um espetáculo como Justine, baseado no romance homônimo do Marquês de Sade (1740-1814), autor considerado maldito, cujos livros, durante sua vida e mesmo muitos anos depois de sua morte, foram censurados, sempre publicados clandestinamente. "Talvez nenhum outro escritor tenha suscitado tantos mal-entendidos, especulações, preconceitos e equívocos", escreveu em artigo no Estado Eliane Robert Moraes, uma das mais respeitadas especialistas em sua obra.

    Justine estreia amanhã encerrando a trilogia libertina dos Satyros, iniciada com A Filosofia na Alcova e 120 Dias de Sodoma, ambas ainda em cartaz na sede do grupo, na Praça Roosevelt. O Estado publicou em 2003 uma crítica sobre a primeira montagem na qual ressalta como mérito do grupo não "temer as ideias de Sade, mas também não se deixar seduzir por elas". Sade foi contemporâneo de Rousseau (1712-1778), cujo pensamento de que o homem era bom por natureza e a sociedade o corrompia era o inverso das ideias que defendia como libertino. Para ele, egoísmo, volúpia, luxúria e crime eram impulsos naturais e o homem só seria feliz dando plena vazão a eles.

    "O que tem o Sade que toca tanto a gente? A Filosofia na Alcova pode-se dizer que está há 20 anos em cartaz", diz o diretor Rodolfo García Vázquez. A primeira fundação dos Satyros feita na parceria entre o ator e dramaturgo Ivam Cabral e o diretor Vázquez foi em São Paulo, em 1989, num teatro na Major Diogo, vizinho ao TBC. Ali eles encenaram Sade ou Noites com os Professores Imorais, a primeira montagem baseada em A Filosofia na Alcova. "Na época, o que nos impulsionava era a rebeldia", diz Vázquez.

    "Tínhamos acabado de fundar os Satyros e veio o período Collor. O teatro não tinha qualquer apoio. Na época, uma amiga mostrou o romance e disse: ?Duvido vocês encenarem este livro.? Por imaturidade e ingenuidade, a gente aceitou o desafio." Por conta do misto de escândalo e sucesso, três anos depois eles foram convidados para viajar a Portugal, e por lá acabaram ficando por cinco anos. Em meados de 90 voltaram para o Brasil e instalaram sua sede em Curitiba. Voltaram a Sade, fizeram outras adaptações consideradas difíceis, como Salomé e Contos de Maldoror, de Lautréamont. Em dezembro de 2000 abriram nova sede na Praça Roosevelt, onde estreou 120 Dias de Sodoma.

    Agora eles voltam a Sade para celebrar o aniversário de 20 anos dos Satyros. Desta vez, não é ?apenas? a rebeldia que os move. "Já fizemos dois romances, não queríamos repetir fórmulas. Estudamos a obra com afinco, foram nove meses de ensaios", diz Vázquez. "Tenho muito respeito por esses atores, porque numa sala de 50 lugares e um elenco de 20 atores todos já sabem de antemão que não vão ganhar dinheiro, mesmo que o espetáculo lote todas as noites. E não temos qualquer patrocínio ou apoio, eles ensaiaram sem ganhar nada."

    Ao contrário do que ocorre em A Filosofia na Alcova ou 120 Dias de Sodoma, Sade explora o ponto de vista da vítima, e não do libertino, a partir do contraponto entre as irmãs, Justine e Juliette. Órfãs na adolescência, expulsas do colégio interno por falta de dinheiro, desamparadas, tomam caminhos opostos. Juliette entra para um bordel, depois casa-se e mata o marido; viúva rica, leva vida de libertina, mas mantém a aparência de senhora da sociedade. Justine rejeita tal caminho e sofre as mais diversas agruras, sempre submetida ao caprichos dos ricos, moralistas na aparências, pervertidos na essência.

    "Buscamos problematizar as questões da peça, que são muito atuais", explica Vázquez. "De que adianta seguir princípios morais se a sociedade não é regida por eles? O que leva um sujeito que ganha R$ 800 por mês a não se rebelar contra o patrão que o trata mal? Ou contra o político que desvia o dinheiro dos impostos? Ficamos impressionados porque o casal de sovinas trata Justine como coisa o tempo todo. Mas é muito diferente a nossa classe média, quando diz ?essa gente? para falar de empregadas ou porteiros?"

    A julgar pelo ensaio acompanhado pelo Estado, a encenação de Justine é reveladora da experiência acumulada. É plena de soluções surpreendentes, algumas brilhantes, na direção segura de Vázquez. Reentrâncias sob uma plataforma servem à perfeição como celas de um convento; o mezanino pode abrigar ora o júri em um julgamento, ora a plateia ruidosa na reconstituição de um crime; nem a escada que leva à saída é desprezada.

     



    Preste atenção...

    ... na brincadeira de mãos entre as irmãs Justine e Juliette (Andressa Cabral e Erika Forlim). É muito pertinente a apropriação de um jogo infantil para dar leveza à narrativa da gênese das personagens.

    ... no olho no criado (Robson Catalunha) que "testa" a virgindade de Juliette quando ela pede abrigo num bordel. Concebido e interpretado de forma não realista, entre o grotesco e o cômico, é figura de aparição relâmpago, mas inesquecível.

    ...na "fila" que se forma no cabaré, com a entrada em atividade da "virgem" Juliette. No bordel, seu olhar será atraído pelas cenas que ocorrem numa cabine vermelha, mas não deixe de observar essa "fila". É um dos bons momentos, entre outros, como nas cenas de julgamento, em que o "coro" torna-se extremamente expressivo graças à criatividade com que se estrutura sua atuação.

    ...no nome do patrão sovina de Justine, clara citação de Sade ao protagonista Harpagon da peça O Avarento, de Molière. Referência que não passou despercebida ao diretor e aos atores. Em todas as cenas do casal de sovinas (Ruy Andrade e Gisa Gutevil), a linguagem, dos figurinos às interpretações, remete à estética à Commedia Dell"Arte, fonte de inspiração de Molière.

    ...no recurso simples, uma touca de pano, cuja utilização resulta num interessante efeito para expressar a forma como Justine, já apelidada Sophie, é obrigada a de desdobrar para dar conta do trabalho excessivo na casa do patrão sovina.

    ...no uso de um recurso de humor ingênuo para alcançar um resultado cortantemente irônico. Tal comicidade se dá na relação entre Justine/Sophie e seu "salvador", o Sr. Bressac (Henrique Mello), quando ele lhe leva de volta ao bosque onde a encontrara.

     

     

    Abaixo segue foto da cena do convento de Saint Mary Du bois, em que eu, Carolina Angrisani interpreto Omphale, ao lado de Andressa Cabral que interpreta Justine, aqui ainda com o pseudônimo Sophie. Momento de cumplicidade entre as vítimas.

     



    Escrito por Carolina Angrisani às 17:59
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    Antologia poética

    A revista Educar para crescer da ed abril lançou a pergunta:

    Que livro é você?

    Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra. Eis meu resultado:

    "Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

    "O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
    "Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

    Lá vai o link pra quem ficar curioso: http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml



    Escrito por Carolina Angrisani às 16:54
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    Surrupiei do blog do alberto guzik

    justine

    está nascendo mais um espetáculo que se tornará um marco na trajetória da cia. de teatro satyros: "justine". a montagem fecha a trilogia libertina, composta por adaptações para o palco de romances fundamentais do marquês de sade. "justine" foi antecedida por "filosofia na alcova" e "cento e vinte dias de sodoma". com a nova encenação, que entra em cartaz na próxima terça, dia 21 de abril, a trilogia libertina estará completa em cartaz, em dias alternados, no espaço dos satyros 2. quero uma hora dessas escrever sobre as três peças. mas agora vou registrar apenas as primeiras impressões caóticas de "justine", que vi ontem, em ensaio aberto. mais uma vez sade, via satyros, nos desfere um tremendo soco no estômago. "os infortúnios da virtude" é o subtítulo de "justine" e explica tudo que acontece. sade proclama, feroz, que o crime compensa, a virtude não. ao traçar a trajetória das irmãs justine e juliette, a primeira uma alma cândida que aspira ao bem, a segunda uma libertina que não se detém ante os maiores crimes, sade narra uma história de horrores. justine será abusada, estuprada, escorraçada, humilhada, acusada de roubos e mortes que não cometeu. e mesmo assim não perde a aspiração ao bem, desejo que nunca se consuma. ou melhor, quando se consuma, quando ao fim de uma trajetória cruciante, ela se reencontra com a irmã, juliette, que, rica e poderosa, a acolhe em seu castelo e lhe oferece abrigo, acaba sofrendo uma morte tremenda pela violência da natureza, que, indiferente ao vício e à virtude extingue a vida em justine com um raio, durante uma tempestade. esse romance, um dos mais famosos do marquês de sade, resultou numa montagem potente, obra de rodolfo garcía vázquez e da equipe que criou "justine" com ele. são imagens aterradoras e fascinantes que tomam o palco durante 95 minutos. uma história cheia de atritos, desagradável, terrível, é contada de forma tão densa, tão concentrada, que invade o espectador com seu peso, sua escura descrença. a mensagem de "justine" não é otimista, não é jubilosa. é sombria, e nos relata uma aventura humana sem grandeza. como se pode dizer que sade elogia o crime quando na verdade mostra todo o seu horror? o espetáculo é daqueles a que é preciso assistir mais de uma vez. tem uma abundância alucinante de sugestões visuais e sonoras que deve ser bem vista para ser entendida. o elenco, encabeçado por andressa cabral, como justine, mergulha de cabeça na aventura de viver esse sombrio (e quando ele não é sombrio?) sade. as atuações vão crescer, amadurecer. mas na maioria já estão ancoradas em patamares bem consistentes. ainda há ajustes de figurino e de técnica a serem feitos. mas o espetáculo está vivo, intenso, desafiador. diz para nós, como a esfinge, "decifra-me ou te devoro". desde ontem estou sendo perseguido pelas cenas dessa "justine" que tem a marca de rodolfo, como encenador. é diferente de tudo que ele já faz e, ao mesmo tempo, ninguém, senão ele, poderia criar essa montagem. em cena há como que uma reelaboração de toda a trajetória dos satyros, mas de um modo que não fica restrito na nostalgia, na contemplação do passado. ao contrário, aponta impetuosamente para o futuro. vou escrever mais a respeito. por enquanto só queria dar conta aqui do profundo e vital incômodo em que "justine" me mergulhou. ah, e o que é aquela trilha sonora? caramba! é muito boa. agora chega, depois conto mais.



    Escrito por Carolina Angrisani às 15:01
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    Justine - os infortúnio da virtude estréia dia 21 de abril no satyros 2 - 21 h

    Hoje no ensaio faltando exatos 19 dias para a estréia, e com o espetáculo ainda por terminar (falta muito pouco!), dei uma escapadela da coxia e sentei na platéia para assistir parte do espetáculo da qual não faço parte:

    Bolhas multicoloridas que surgem e desaparecem em um ritmo frenético, esquizofrênico, louco. É assim que as cenas se constroem e se diluem no espaço. Um pequeno exemplo disso é o surgimento da costureira, do padre e por aí vai... Vontade de rir com a exótica Du Buisson e seu “gramelônico” assistente, e finalmente na cena dos Harpin uma inacreditável experiência estética, com os eletros carregados pelas diversas Justines mascaradas. E de repente... Tudo some. Palco vazio novamente. Tudo começa a se reconstruir. Pausa para a cena do julgamento. Então sou pega de supetão, esganada, arrebata pela criminosa Dubois. Choro de desespero. Inexplicável. Retomo a respiração e me preparo para assistir a cena do marquês de Bressac (uma das minhas preferidas do lado de lá da coxia), e me espanto com a violência que nunca havia visto nela antes. Lá atrás vejo um ator passando por trás da coxia ainda invisível... E poderia ser assim mesmo. Com Justine caída toda ensanguentada, me ponho a chorar novamente. Ela se recupera e segue sentido Convento de Saint Marie dês Bois, sigo atenta a movimentação de cada ator que desenha no meu imaginário, junto com a trilha e iluminação) um cenário gigantesco e fantático de diversas situações e acontecimentos. É hora de voltar, mas o ensaio acaba. Vontade de mais.

    Reflito: Rodolfo Garcia Vázquez, Ivam Cabral(que não está tão perto, mas sempre presente) e a Cia Os Satyros vão além da alquimia que fazem com as diversas linguagens teatrais. Inventaram a nova dramaturgia e seguem na experimentação de um novo rumo para as interpretações.

     

     



    Escrito por Carolina Angrisani às 00:02
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