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    Fotos do Justine by Rubens Cerqueira

    Ele arrasou!!!

    http://bloglog.globo.com/blog/blog.do?act=loadSite&id=361&postId=17747&permalink=true



    Escrito por Carolina Angrisani às 23:23
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    Satyros no Rio

    Sexta- feira, 3 de julho, vou para o Rio de Janeiro, que aliás faz dez anos que não visito, digo a cidade, porque estive em Parati no ano passado, a última vez que estive na cidade maravilhosa foi no segundo semestre de 1998 com a minha amiga Ana Paula logo após a nossa formatura no Célia Helena, ficamos uma semana em Copacabana, e viramos a cidade do avesso na ocasião. Caminhávamos todos os dias por Copacabana até o mirante o leme, depois ficávamos horas sentadas olhando pro mar, íamos até a Lagoa Rodrigo de Freitas. Visitamos o Pão de Açucar, subimos no bondinho, fomos até o Cristo. Conehecemos o morro de Santa Tereza, o pé da Rocinha, enfim foi uma festa. A Ana inclusive mora lá há uns 8 anos já. Motivo para nos vermos e matarmos a saudade. Como eu dizia, sexta à noite estréia "Os 120 dias de sodoma" e seguimos o mês de julho com uma mostra do Satyros no Rio, sábado e domingo apresento "Justine", também da trilogia libertina. A mostra ainda conta com Filosofia na Alcova, Liz e o Monólogo da velha apresentadora. nem preciso dizer sobre a felicidade de fazer parte de uma mostra do Satyros no Rio. Há três anos e pouquinho que me dedico a essa companhia, e só tenho a agradecer pelas flores colhidas, e agora mais esse presente. Então é isso, quem estiver por lá, apareça no Teatro Ségio Porto! Até.



    Escrito por Carolina Angrisani às 23:05
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    Sentimento solitário

    Saudade é uma das palavras mais presentes na poesia de amor da língua portuguesa e também na música popular, "saudade", só conhecida em galego-português, descreve a mistura dos sentimentos de perda, distância e amor. A palavra vem do latim "solitas, solitatis" (solidão), na forma arcaica de "soedade, soidade e suidade" e sob influência de "saúde" e "saudar".

    Uma visão mais especifista aponta que o termo saudade advém de solitude e saudar, onde quem sofre é o que fica à esperar o retorno de quem partiu, e não o indivíduo que se foi, o qual nutriria nostalgia. A gênese do vocábulo está directamente ligada à tradição marítima lusitana.

    A origem etimológica das formas atuais "solidão", mais corrente e "solitude", forma poética, é o latim "solitudine" declinação de "solitudo, solitudinis", qualidade de "solus". Já os vocábulos "saúde, saudar, saudação, salutar, saludar" proveem da família "salute, salutatione, salutare", por vezes, dependendo do contexto, sinônimos de "salvar, salva, salvação" oriundos de "salvare, salvatione". O que houve na formação do termo "saudade" foi uma interfluência entre a força do estado de estar só, sentir-se solitário, oriundo de "solitarius" que por sua vez advem de "solitas, solitatis", possuidora da forma declinada "solitate" e suas variações luso-arcaicas como suidade e a associação com o ato de receber e acalentar este sentimento, traduzidas com os termos oriundos de "salute e salutare", que na transição do latim para o português sofrem o fenômeno chamado síncope, onde perde-se a letra interna l, simplesmente abandonada enquanto o t não desaparece, mas passa a ser sonorizado como um d. E no caso das formas verbais existe a apócope do e final. O termo saudade acabou por gerar derivados como a qualidade "saudosismo" e seu adjetivo "saudosista", apegado à ideias, usos, costumes passados, ou até mesmo aos princípios de um regime decaído, e o termo adjetivo de forte carga semântica emocional "saudoso", que é aquele que produz saudades, podendo ser utilizado para entes falecidos ou até mesmo substantivos abstratos como em "os saudosos tempos da mocidade", ou ainda, não referente ao produtor, mas aquele que as sente, que dá mostras de saudades.



    Escrito por Carolina Angrisani às 00:09
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    Diálogo no camarim

    No Camarim. E o Poeta disse:

    - Carol, você é linda! Esperei três anos pra te dizer isso, e achei que esse foi o momento mais oportuno. É que você é sempre tão reservada. É a pessoa mais reservada aqui, então nunca falei antes.

    - Nem tanto. Mas muito obrigada. E olha que em três anos eu até fiquei mais velhinha, rsrsrs.

    - Seu jeito doce e a entrega acima de tudo. A entrega.

    - Obrigada!

    ...



    Escrito por Carolina Angrisani às 14:15
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    da vida de um artista

    Acho que estou passando por uma crise existencial de artista. Pode parecer meio pretencioso, mas não é, é mais simples. Tenho questionado sobre os pazeres e dificuldades de se levar uma vida como artista, digo artista marginal, aquele que pensa e age à margem da sociedade, muitas vezes na contramão, algumas vezes por ideologia, mas muitas vezes por não ter outra saída. E isso vai desde as pequenas coisas. Por exemplo, ter horários invertidos, a maioria das pessoas normais, levantam cedo, trabalham o dia todo, e tem as noites e finais de semana (para os mais privilegiados) livres. Eu partuclarmente nunca gostei de acordar cedo, nem nos dias de sol na praia. Eu gosto da noite, funciono melhor a noite, me sinto mais disposta, criativa e animada. Tem também o lance da estabilidade financeira, que também tenho notado que é relativa, mas dificilmente um artista consegue se planejar a longo prazo, ele vai conquistando as coisas aos poucos e mesmo assim nunca sabe como será o amanhã. tem a questão dos relacionamentos , tendo em vista que é preciso estar com alguém que tenha a vida pelo menos um pouco parecida com a sua, no que diz respeito a questões que vão desde horários, à uma essência mais livre na maneira de pensar e agir. A impressão que tenho é que o artista é do mundo, ela vai em direção ao que lhe chama, e se permite ir, exatamente por ser um ser mais livre em sua essência. Bom, todas as outras questões são bem favoráveis, e como não é o caso de se perguntar: Ser ou não ser? Já que o artista é, e pronto. A pergunta é: o que fazer?



    Escrito por Carolina Angrisani às 01:32
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    Uma interrupção

    Essas duas últimas semanas foram atípicas, uma grande amiga de infância que mora nos Estados Unidos veio ao Brasil para resolver umas questões de visto, e sempre que ela vem reunimos o antigo Clube da Luluzinha, todas já casadas, exeto eu.

    Daí sempre rola uma cobrança, perguntas do tipo como é que estão as coisas, quando é que vai ser etc, perguntas que eu estaria livre se estivesse solteira, mas como namoro há dois anos e pouquinho (digamos que aos 30, isso é bastante), fica aquela expectativa no ar. Eu até acho engraçado! Porque relamente não está nos meus planos casar e nem ter filhos, pelo menos por enquanto.

    Mas falando em filhos, as conversas giraram em torno basicamente deles. Apenas uma das amigas já os tem, e são dois, e as outras estão em processo de encomenda. Então acabei dividindo as angustias delas, com um olhar mais distanciado, claro! Mas lá estava eu, ouvindo as dúvidas sobre tê-los ou não, ou será que é a hora, mas já estamos com 30 anos daqui a pouco ficaremos velhas, e os gastos que eles trazem, vou ter que abrir mão de parte do meu orçamento para tê-los, terei que parar de trabalhar, ou meu corpo está pedindo, preciso dar um neto para minha mãe, ter filho faz parte do pacote etc. Enfim um frase de luz... "Tem que relaxar e deixar rolar, quando tiver que acontecer, acontece", ou de trevas, rsrsrsrs.

     A verdade é que me senti um ET no que diz respeito a certas convenções sociais, ou as realizações pessoais desse tipo. Não sei se pelo fato de ser dois anos mais nova que elas (ou seja, por imaturidade), ou pelo simples fato de que as minhas escolhas até aqui foram outras. Prefiro a segunda opção, mas a verdade é que esse conflito faz parte de mim, de fato tive uma criação e educação muito próxima a delas, fomos criadas para sermos mulheres "independentes" (uma necessidade de quebra da geração anterior - nossas mães), casar e ter filhos. Mas acho que aindfa estou em busca da primeira lição, talvez elas já a tenham alcançado, por isso partiram para o passo dois e já estão a caminho do 3. Mas o que mais me assusta, é que me parece que chegar no três, significa abrir mão do primeiro passo e passar a viver em função dos filhos. É como se ter filho, significasse deixar de ser você para passar a ser a Mão ou o Pai de alguém, um papel social que você passa a cumprir e adeus seus sonhos, ideais, objetivos e desejos, a partir daí o principal é o filho.

    Uma das minhas amigas, que já está com dois filhos, chegou a dizer: "Na primeira licensa não via a hora de voltar a trabalhar, agora já é completamente diferente, adeus ideais e aquela vontade de mudar o mundo, agora eu quero mais é parar de trabalhar e acompanhar o crescimento do meus filhos, ser o mais presente que eu puder." . Foi assustador ouvir isso, mas entendo o caminho que se traça para chegar até aí. Sem contar da dificuldade de trabalhar, passar o dia inteiro fora, deixar os filhos em educação integral, e só ter as noites( em que chega cansada do trabalho) e finais de semana para cuidar de si, curtir seu marido, aproveitar a infância dos filhos, ter uma vida social e ainda administrar duas ferinhas. Enfim, ainda estou um pouco confusa com toda essas conversas e me pergunto será que sou assim tão diferente?



    Escrito por Carolina Angrisani às 20:18
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    Primeira crítica sobre Justine

    Leia a matéria sobre a estréia de "Justine" no Satyros

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    Satyros faz aniversário com Sade

    Grupo celebra 20 anos encenando Justine cheia de boas soluções cênicas

    Por Beth Néspoli

    Para chegar à sala teatral do Espaço dos Satyros 2, na Praça Roosevelt, o espectador percorre até o fim o corredor de entrada, desce uma escada circular, chega a um saguão na penumbra, depois desce outro lance de escada até acomodar-se nas arquibancadas da sala pequena de 50 lugares. Nesse porão já funcionou a ruidosa boate Cais e talvez isso justifique a arquitetura inusitada do palco, com seus mezaninos e plataformas em diferentes níveis de altura e distribuição irregular pelo espaço.


    Não podia ser mais pertinente encenar nessa geografia que faz pleno jus ao nome underground um espetáculo como Justine, baseado no romance homônimo do Marquês de Sade (1740-1814), autor considerado maldito, cujos livros, durante sua vida e mesmo muitos anos depois de sua morte, foram censurados, sempre publicados clandestinamente. "Talvez nenhum outro escritor tenha suscitado tantos mal-entendidos, especulações, preconceitos e equívocos", escreveu em artigo no Estado Eliane Robert Moraes, uma das mais respeitadas especialistas em sua obra.

    Justine estreia amanhã encerrando a trilogia libertina dos Satyros, iniciada com A Filosofia na Alcova e 120 Dias de Sodoma, ambas ainda em cartaz na sede do grupo, na Praça Roosevelt. O Estado publicou em 2003 uma crítica sobre a primeira montagem na qual ressalta como mérito do grupo não "temer as ideias de Sade, mas também não se deixar seduzir por elas". Sade foi contemporâneo de Rousseau (1712-1778), cujo pensamento de que o homem era bom por natureza e a sociedade o corrompia era o inverso das ideias que defendia como libertino. Para ele, egoísmo, volúpia, luxúria e crime eram impulsos naturais e o homem só seria feliz dando plena vazão a eles.

    "O que tem o Sade que toca tanto a gente? A Filosofia na Alcova pode-se dizer que está há 20 anos em cartaz", diz o diretor Rodolfo García Vázquez. A primeira fundação dos Satyros feita na parceria entre o ator e dramaturgo Ivam Cabral e o diretor Vázquez foi em São Paulo, em 1989, num teatro na Major Diogo, vizinho ao TBC. Ali eles encenaram Sade ou Noites com os Professores Imorais, a primeira montagem baseada em A Filosofia na Alcova. "Na época, o que nos impulsionava era a rebeldia", diz Vázquez.

    "Tínhamos acabado de fundar os Satyros e veio o período Collor. O teatro não tinha qualquer apoio. Na época, uma amiga mostrou o romance e disse: ?Duvido vocês encenarem este livro.? Por imaturidade e ingenuidade, a gente aceitou o desafio." Por conta do misto de escândalo e sucesso, três anos depois eles foram convidados para viajar a Portugal, e por lá acabaram ficando por cinco anos. Em meados de 90 voltaram para o Brasil e instalaram sua sede em Curitiba. Voltaram a Sade, fizeram outras adaptações consideradas difíceis, como Salomé e Contos de Maldoror, de Lautréamont. Em dezembro de 2000 abriram nova sede na Praça Roosevelt, onde estreou 120 Dias de Sodoma.

    Agora eles voltam a Sade para celebrar o aniversário de 20 anos dos Satyros. Desta vez, não é ?apenas? a rebeldia que os move. "Já fizemos dois romances, não queríamos repetir fórmulas. Estudamos a obra com afinco, foram nove meses de ensaios", diz Vázquez. "Tenho muito respeito por esses atores, porque numa sala de 50 lugares e um elenco de 20 atores todos já sabem de antemão que não vão ganhar dinheiro, mesmo que o espetáculo lote todas as noites. E não temos qualquer patrocínio ou apoio, eles ensaiaram sem ganhar nada."

    Ao contrário do que ocorre em A Filosofia na Alcova ou 120 Dias de Sodoma, Sade explora o ponto de vista da vítima, e não do libertino, a partir do contraponto entre as irmãs, Justine e Juliette. Órfãs na adolescência, expulsas do colégio interno por falta de dinheiro, desamparadas, tomam caminhos opostos. Juliette entra para um bordel, depois casa-se e mata o marido; viúva rica, leva vida de libertina, mas mantém a aparência de senhora da sociedade. Justine rejeita tal caminho e sofre as mais diversas agruras, sempre submetida ao caprichos dos ricos, moralistas na aparências, pervertidos na essência.

    "Buscamos problematizar as questões da peça, que são muito atuais", explica Vázquez. "De que adianta seguir princípios morais se a sociedade não é regida por eles? O que leva um sujeito que ganha R$ 800 por mês a não se rebelar contra o patrão que o trata mal? Ou contra o político que desvia o dinheiro dos impostos? Ficamos impressionados porque o casal de sovinas trata Justine como coisa o tempo todo. Mas é muito diferente a nossa classe média, quando diz ?essa gente? para falar de empregadas ou porteiros?"

    A julgar pelo ensaio acompanhado pelo Estado, a encenação de Justine é reveladora da experiência acumulada. É plena de soluções surpreendentes, algumas brilhantes, na direção segura de Vázquez. Reentrâncias sob uma plataforma servem à perfeição como celas de um convento; o mezanino pode abrigar ora o júri em um julgamento, ora a plateia ruidosa na reconstituição de um crime; nem a escada que leva à saída é desprezada.

     



    Preste atenção...

    ... na brincadeira de mãos entre as irmãs Justine e Juliette (Andressa Cabral e Erika Forlim). É muito pertinente a apropriação de um jogo infantil para dar leveza à narrativa da gênese das personagens.

    ... no olho no criado (Robson Catalunha) que "testa" a virgindade de Juliette quando ela pede abrigo num bordel. Concebido e interpretado de forma não realista, entre o grotesco e o cômico, é figura de aparição relâmpago, mas inesquecível.

    ...na "fila" que se forma no cabaré, com a entrada em atividade da "virgem" Juliette. No bordel, seu olhar será atraído pelas cenas que ocorrem numa cabine vermelha, mas não deixe de observar essa "fila". É um dos bons momentos, entre outros, como nas cenas de julgamento, em que o "coro" torna-se extremamente expressivo graças à criatividade com que se estrutura sua atuação.

    ...no nome do patrão sovina de Justine, clara citação de Sade ao protagonista Harpagon da peça O Avarento, de Molière. Referência que não passou despercebida ao diretor e aos atores. Em todas as cenas do casal de sovinas (Ruy Andrade e Gisa Gutevil), a linguagem, dos figurinos às interpretações, remete à estética à Commedia Dell"Arte, fonte de inspiração de Molière.

    ...no recurso simples, uma touca de pano, cuja utilização resulta num interessante efeito para expressar a forma como Justine, já apelidada Sophie, é obrigada a de desdobrar para dar conta do trabalho excessivo na casa do patrão sovina.

    ...no uso de um recurso de humor ingênuo para alcançar um resultado cortantemente irônico. Tal comicidade se dá na relação entre Justine/Sophie e seu "salvador", o Sr. Bressac (Henrique Mello), quando ele lhe leva de volta ao bosque onde a encontrara.

     

     

    Abaixo segue foto da cena do convento de Saint Mary Du bois, em que eu, Carolina Angrisani interpreto Omphale, ao lado de Andressa Cabral que interpreta Justine, aqui ainda com o pseudônimo Sophie. Momento de cumplicidade entre as vítimas.

     



    Escrito por Carolina Angrisani às 17:59
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    Antologia poética

    A revista Educar para crescer da ed abril lançou a pergunta:

    Que livro é você?

    Se você fosse um livro nacional, qual livro seria? Um best-seller ultrapopular ou um relato intimista? Faça o teste e descubra. Eis meu resultado:

    "Antologia poética", de Carlos Drummond de Andrade

    "O primeiro amor passou / O segundo amor passou / O terceiro amor passou / Mas o coração continua". Estes versos tocam você, pois você também observa a vida poeticamente. E não são só os sentimentos que te inspiram. Pequenas experiências do cotidiano – aquela moça que passa correndo com o buquê de flores, o vizinho que cantarola ao buscar o jornal na porta – emocionam você. Seu olhar é doce, mas também perspicaz.
    "Antologia poética" (1962), de Drummond, um dos nossos grandes poetas, também reúne essas qualidades. Seus poemas são singelos e sagazes ao mesmo tempo, provando que não é preciso ser duro para entender as sutilezas do cotidiano.

    Lá vai o link pra quem ficar curioso: http://educarparacrescer.abril.uol.com.br/leitura/testes/livro-nacional.shtml



    Escrito por Carolina Angrisani às 16:54
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    Surrupiei do blog do alberto guzik

    justine

    está nascendo mais um espetáculo que se tornará um marco na trajetória da cia. de teatro satyros: "justine". a montagem fecha a trilogia libertina, composta por adaptações para o palco de romances fundamentais do marquês de sade. "justine" foi antecedida por "filosofia na alcova" e "cento e vinte dias de sodoma". com a nova encenação, que entra em cartaz na próxima terça, dia 21 de abril, a trilogia libertina estará completa em cartaz, em dias alternados, no espaço dos satyros 2. quero uma hora dessas escrever sobre as três peças. mas agora vou registrar apenas as primeiras impressões caóticas de "justine", que vi ontem, em ensaio aberto. mais uma vez sade, via satyros, nos desfere um tremendo soco no estômago. "os infortúnios da virtude" é o subtítulo de "justine" e explica tudo que acontece. sade proclama, feroz, que o crime compensa, a virtude não. ao traçar a trajetória das irmãs justine e juliette, a primeira uma alma cândida que aspira ao bem, a segunda uma libertina que não se detém ante os maiores crimes, sade narra uma história de horrores. justine será abusada, estuprada, escorraçada, humilhada, acusada de roubos e mortes que não cometeu. e mesmo assim não perde a aspiração ao bem, desejo que nunca se consuma. ou melhor, quando se consuma, quando ao fim de uma trajetória cruciante, ela se reencontra com a irmã, juliette, que, rica e poderosa, a acolhe em seu castelo e lhe oferece abrigo, acaba sofrendo uma morte tremenda pela violência da natureza, que, indiferente ao vício e à virtude extingue a vida em justine com um raio, durante uma tempestade. esse romance, um dos mais famosos do marquês de sade, resultou numa montagem potente, obra de rodolfo garcía vázquez e da equipe que criou "justine" com ele. são imagens aterradoras e fascinantes que tomam o palco durante 95 minutos. uma história cheia de atritos, desagradável, terrível, é contada de forma tão densa, tão concentrada, que invade o espectador com seu peso, sua escura descrença. a mensagem de "justine" não é otimista, não é jubilosa. é sombria, e nos relata uma aventura humana sem grandeza. como se pode dizer que sade elogia o crime quando na verdade mostra todo o seu horror? o espetáculo é daqueles a que é preciso assistir mais de uma vez. tem uma abundância alucinante de sugestões visuais e sonoras que deve ser bem vista para ser entendida. o elenco, encabeçado por andressa cabral, como justine, mergulha de cabeça na aventura de viver esse sombrio (e quando ele não é sombrio?) sade. as atuações vão crescer, amadurecer. mas na maioria já estão ancoradas em patamares bem consistentes. ainda há ajustes de figurino e de técnica a serem feitos. mas o espetáculo está vivo, intenso, desafiador. diz para nós, como a esfinge, "decifra-me ou te devoro". desde ontem estou sendo perseguido pelas cenas dessa "justine" que tem a marca de rodolfo, como encenador. é diferente de tudo que ele já faz e, ao mesmo tempo, ninguém, senão ele, poderia criar essa montagem. em cena há como que uma reelaboração de toda a trajetória dos satyros, mas de um modo que não fica restrito na nostalgia, na contemplação do passado. ao contrário, aponta impetuosamente para o futuro. vou escrever mais a respeito. por enquanto só queria dar conta aqui do profundo e vital incômodo em que "justine" me mergulhou. ah, e o que é aquela trilha sonora? caramba! é muito boa. agora chega, depois conto mais.



    Escrito por Carolina Angrisani às 15:01
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    Justine - os infortúnio da virtude estréia dia 21 de abril no satyros 2 - 21 h

    Hoje no ensaio faltando exatos 19 dias para a estréia, e com o espetáculo ainda por terminar (falta muito pouco!), dei uma escapadela da coxia e sentei na platéia para assistir parte do espetáculo da qual não faço parte:

    Bolhas multicoloridas que surgem e desaparecem em um ritmo frenético, esquizofrênico, louco. É assim que as cenas se constroem e se diluem no espaço. Um pequeno exemplo disso é o surgimento da costureira, do padre e por aí vai... Vontade de rir com a exótica Du Buisson e seu “gramelônico” assistente, e finalmente na cena dos Harpin uma inacreditável experiência estética, com os eletros carregados pelas diversas Justines mascaradas. E de repente... Tudo some. Palco vazio novamente. Tudo começa a se reconstruir. Pausa para a cena do julgamento. Então sou pega de supetão, esganada, arrebata pela criminosa Dubois. Choro de desespero. Inexplicável. Retomo a respiração e me preparo para assistir a cena do marquês de Bressac (uma das minhas preferidas do lado de lá da coxia), e me espanto com a violência que nunca havia visto nela antes. Lá atrás vejo um ator passando por trás da coxia ainda invisível... E poderia ser assim mesmo. Com Justine caída toda ensanguentada, me ponho a chorar novamente. Ela se recupera e segue sentido Convento de Saint Marie dês Bois, sigo atenta a movimentação de cada ator que desenha no meu imaginário, junto com a trilha e iluminação) um cenário gigantesco e fantático de diversas situações e acontecimentos. É hora de voltar, mas o ensaio acaba. Vontade de mais.

    Reflito: Rodolfo Garcia Vázquez, Ivam Cabral(que não está tão perto, mas sempre presente) e a Cia Os Satyros vão além da alquimia que fazem com as diversas linguagens teatrais. Inventaram a nova dramaturgia e seguem na experimentação de um novo rumo para as interpretações.

     

     



    Escrito por Carolina Angrisani às 00:02
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    Ops!

    Não podia deixar de registrar um acontecimento engraçado! Numa tarde dessas meu amigo Danilo amaral me passou por MSN um link de uma crítica feita por " "Tábata Neoniodora" para a revista Bacante, (http://www.bacante.com.br/revista/critica/monologo-da-velha-apresentadora/comment-page-1#comment-2079) sobre a peça"Monólogo da velha apresentadora". E claro que assim que li, não resisti em expressar minha opinião em relação aquilo tudo. Na mesma noite já havia  chegado a informação que tudo não passava de uma brincadeira/homenagem da revista para o Alberto Guzic. O post me rendeu até uma retratação do gentil Walber SchwartzMas fica abaixo o registro do episódio.

    carolina angrisani 3.24.09 / 8pm

    Honestamente não entendi o texto acima ser publicado num espaço reservado a crítica teatral, mais parece um diário de desabafo, com todo respeito, de alguém que não se encaixa nos dias de hoje e que muito menos está ciente da cena teatral paulistana e mais ainda, não consegue compreender que além dos tempos serem outros, há muita graça e cultura além do Ristorante Famiglia Manccini mesmo sem as cortinas vermelhas. E temos que concordar, ainda bem que a veja não derruba nem levanta mais ninguém neste país, isso sim era vergonhoso!

  • Walber Schwartz - www.Cultblog.com.br 3.25.09 / 8pm

    Carolina Angrisani!
    Você não entendeu a ironia, minha cara. Provavelmente não conhece o conteúdo do monólogo. Essa crítica é excepcional, mas confundiu muita gente boa - como vc, provavelmente. O pessoal da Bacante foi excepcional, e a crítica é elogiosa, acredite. Faz o seguinte, escreve pra mim que eu te mando o texto original (walber_schwartz@hotmail.com). Tenho certeza que tudo vai ficar mais claro. Ou então leia a entrevista que fiz com o Guzik no http://www.CultBlog.com.br.

    Abraços,

    WS

  • carolina angrisani 3.27.09 / 4pm

    Oi Walber! Já fui informada sobre a grande brincadeira que fizeram e reconheço a genialidade disso tudo. Mas mantenho minhas palavras para as “Tábatas” que ainda existem de plantão. Obrigada.



  • Escrito por Carolina Angrisani às 16:49
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    A casa laranja

    Você pode me encontrar ali, na casa desenhada da Praça das Rosas. Aquela de sacada mal acabada com uma rede colorida em azul e vermelho pendurada. Ali naquela janela eu moro com todas as minhas inconstâncias, é ali que você me encontra com todas as minhas músicas, livros e filmes. Daquela janela por trás da rede colorida eu consigo ver uma mata cheia de pássaros e formigas. Essa é a paisagem que encontro todas as manhãs, além do céu azul, às vezes nublado. Só não consigo ver o mar. A noite chega o vento que balança a rede azul e vermelha e faz tilintar o mensageiro na casa de praia. É ali que eu moro. A casa dos sonhos. Moro num desenho de criança. A casa é menos colorida que o desenho, mas a vida é mais colorida que o desenho. É ali, bem ali naquela casa desenhada da Praça das Rosas. Eu que fiz o desenho. E a casa.



    Escrito por Carolina Angrisani às 14:49
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    "Justine - Os Infortúnios da Virtude"(a obra) é a ovelha negra de Sade, podem acreditar. Justine (a personagem) é a mais virtuosa das pessoas, e claro que nos identificamos com sua virtuosidade, afinal quantos obstáculos enfrentamos em nosso dia a dia e mesmo assim passamos intactos por eles. A diferença é que Justine é uma personagem de ficção, portanto nunca, jamais escorrega em seus princípios e valores, mesmo quando não tem mais saída, afinal ela pode se permitir não ter saída, pois seu autor trata de tirá-la dessa para colocá-la numa pior. E nós continuamos nossas vidas com os mesmos questionamentos, angústias e observação sobre o mundo. É certo que às vezes cometemos deslizes, mas há de se levar em conta que somos de carne e osso, deixemos os atos heróicos para os seres inalcançáveis, como os personagens de Sade.

     

    Quero dizer que aqui Sade nos propõe um jogo inverso, pois são tantas as dificuldades enfrentadas por nossa heroína, que chegamos a desistir dela, vê-la como patética e uma espécie de negação surge dentro de nós, claro que não queremos ser "o bonzinho que sempre se dá mal na história", somos mais uma vez seduzidos pelas facilidades e poder que seus personagens malignos carregam. Mas Justine é doce, honesta, e de uma fidelidade indescritível a seus princípios, impossível não se deixar levar por seu comportamento tão humano, num mundo ficcional e real de desumanidades.

     

    Fazer parte do processo de Justine nos faz questionar até que ponto nossos princípios e valores valem à pena, e descobrir num segundo depois que só eles valem à pena, porque não somos nada, nem ninguém sem eles. E se nos sentimos muitas vezes como dentro de uma gaiola, é para que depois possamos voar bem mais alto.

     



    Escrito por Carolina Angrisani às 17:28
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    Além do horizonte

              

    Cléo De Páris (Solidão) e Germano Pereira (Bernardo).                              

      

                         Irene Stefânia (Tristeza) e Carolina Angrisani (Greta)    

    As amigas Solidão e Greta (Fotinho surrupiada da Cléo)

     

    Fotos da Minissérie Além do Horizonte, escrita por Ivam Cabral e dirigida por rodolfo garcia vazquez, a ser exibida em Março de 2009 na Tv Cultura.



    Escrito por Carolina Angrisani às 13:37
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    Ensaio sobre Greta- a partir de Ivam Cabral

    Ela tinha vinte e três anos quando lhe perguntaram pela primeira vez qual era seu grande sonho. Ficou confusa, como se nunca tivesse pensado sobre isso antes, perdida, sem saber o que responder e logo despejou: Ser miss Pérola do Norte! Mas a resposta a atormentava mais que a própria pergunta, embora recebida com sorrisos, sabia que tudo era falso, os sorrisos e a resposta. Esse era o sonho de sua avó, por quem fora criada e que havia falecido há pouco. Será que esse se tornou meu sonho como forma de homenagear minha vozinha? Peguntou-se. Mas era tarde, as meninas se tornavam miss muito cedo e além disso nunca levou jeito pra tal coisa, era desengonçada, tinha o corpo largo e alguma coisa destoava no formato da sua boca, era meio dentuça, nem se quisesse realmente, poderia ter sido miss. Mas isso não importava sabia que havia dito isso apenas para se livrar de uma resposta ainda pior. A menina se deu conta que nunca tivera um sonho de verdade, talvez nunca a tivessem deixado sonhar, lembrou das repressões de seu pai, sempre lhe empurrando a realidade limitada que existia a sua volta. Começou a trabalhar muito cedo pra ajudar o pai e a avó em casa, não tinha tempo pra brincar com as amigas, teve apenas uma única boneca sua vida toda, mas isso não a incomodava, porque sua boneca Lila era muito ciumenta, que bom que não teve outras senão a briga ía ser feia! Fechou os olhos com força tentou se lembrar da Lila e de alguma conversa que pudesse ter tido com ela que lhe revelasse seu grande sonho. Nada! Nem com uma bicicleta tivera o direito de sonhar. Seu pai dizia que tinha que trabalhar muito pra comprar uma. Ora se trabalhasse muito, passaria muito tempo e só teria uma bicicleta depois de grande! A menina engasgou num choro preso e doído. Lembrou dos sonhos que tinha com a sua mãe.Sua morte precoce a permitiu sonhar sem limites de como seria a sua mãe, talvez esse tivesse sido o vôo mais alto que dera até então. Mas não se importava porque ela era a única das meninas que podia ter a mãe do jeitinho que imaginava. e ela era linda, gigantesca, os ombros largos puxara da mãe. Então ela pensou, um dia quero ser linda como a minha mãe. A menina sabia que aquele não podia ser o grande sonho dela, mas mais uma vez nem se importou e abriu um sorriso tão grande e lindo, ao mesmo tempo que sentiu um amor enorme dentro do seu coração, que aumentava a cada instante se transformando numa imensa felicidade. E como num sonho, mas não era, ela ouviu: Nunca é tarde para se ter um sonho minha filha! Sonhe muito! Nunca deixe de sonhar!



    Escrito por Carolina Angrisani às 23:23
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